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Instituto de Qualidade Automotiva (IQA) promove 7º Fórum em São Paulo

Abordando temas como os desejos do consumidor, demandas do mercado e novas tecnologias, o Fórum contou com palestras e debates

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Por Da Redação


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Fórum IQA

Lideranças de diferentes elos da cadeia automotiva como montadoras, autopeças, distribuidores, oficinas, concessionárias, entidades da classe, instituição de ensino, consultorias e governo participaram do 7° Fórum IQA. Nesta edição, o foco foi debater rotas da qualidade para o acompanhamento de tendências e legislações. 

O Instituto da Qualidade Automotiva é um organismo de certificação especializado no setor automotivo, criado e dirigido pela Anfavea, Sindirepa e outras entidades. O IQA tem como objetivo prestar serviços que contribuam para a melhoria da qualidade, agregando valor para toda a cadeia automotiva.  

Distribuído em quatro blocos, o fórum IQA abordou vários temas entre tecnologias, desafios em logística, impactos no aftermarket e novos modelos regulatórios. Em cada bloco temático, palestrantes renomados debateram e apresentaram práticas para o dia a dia do setor automotivo.  

Entender melhor o consumidor é algo imprescindível para a indústria suportar o impacto em um período de grandes mudanças, segundo os palestrantes. “Nos dias de hoje é preciso trabalhar com enorme quantidade de dados, nunca antes disponibilizada, para entregar soluções que atendam demandas reais. E a cultura da qualidade precisa fazer parte de todas as empresas”, afirmou Ingo Pelikan, presidente do IQA e gerente sênior de Gerenciamento de Fornecedores da Mercedes-Benz, ao abrir o evento. 

No primeiro bloco, o foco foi a tecnologia. O setor automotivo vem passando por grandes transformações por causa de toda a evolução tecnológica e isso se deve às tendências do mercado e inovações que surgem constantemente. 

Diretor industrial de Sistemas & E-Mobility da WEG, Valter Luiz Knihs apresentou materiais para o avanço da eletrificação, como o silício, semicondutor abundante e de baixo custo. Mauro Andreassa, professor associado do Instituto Mauá de Tecnologia, falou sobre a economia compartilhada e destacou que a indústria precisa entender o cliente para dar passos seguros. “Nunca tivemos tantos dados”, afirmou.  

Segundo Bruno Ramos, gerente de produto do Groupe PSA na América Latina, o desafio é trabalhar com todas as informações disponíveis para entregar soluções que atendam às necessidades reais. Daniel Lange, líder de equipe de Inovação da Robert Bosch, falou que a indústria automotiva precisa abrir espaços favoráveis para a inovação, como investir em desenvolvimento orientado para o usuário “É sair do escritório e ir falar com os consumidores para conhecer as realidades”, afirmou. 

Marcus Vinicius Aguiar, vice-presidente da Anfavea falou sobre o Rota 2030, que  caso seja aprovado garantirá à indústria automotiva um novo horizonte para o planejamento das empresas que atuam no Brasil, trazendo benefícios importantes ao mesmo tempo em que trará novos desafios. Aguiar afirmou ainda que o programa irá contribuir para o aumento da competitividade da indústria automotiva brasileira perante o mercado global ao entregar produtos em níveis compatíveis com os internacionais.  

Para quem não sabe, o Rota 2030 é o programa que define regras para a fabricação dos automóveis produzidos e comercializados no Brasil nos próximos 15 anos. Ou seja, é um conjunto de normas que passa a estabelecer o quanto as fabricantes instaladas no Brasil precisarão investir. E isso determina o quanto os modelos serão avançados, econômicos, seguros e, de carona, quanto vão custar (mais ou menos caros). 

Ricardo Bacellar, da Brazil Head of Automotive KPMG, ressaltou que assistimos a uma mudança irreversível no padrão de consumo global, além de apresentar uma pesquisa divulgando a qual medida está o setor automotivo em relação à reestruturação. 

Um dos números mais impressionantes é que 87,04% dos brasileiros têm interesse em veículos por assinatura. Essa é uma opção que tem crescido bastante no Brasil, seguindo a tendência de outros países, como os Estados Unidos e Espanha. Quando falamos em “carro por assinatura”, não nos referimos à compra de um automóvel em si, já que, nesse sistema, o usuário apenas utiliza o veículo, sem adquiri-lo como propriedade. Barcelar ainda afirmou: “O setor automotivo precisará acostumar-se com esses tempos de mudanças”. 

Manter-se bem informado sobre o mercado e sobre o contexto em geral é importante, e este evento auxilia a descobrir novos produtos e serviços para o mercado automotivo.  

Luiz Sérgio Alvarenga, Diretor Executivo do Sindirepa Nacional, debateu sobre como a cadeia de reposição e reparação precisa se adequar para as próximas tendências do mercado. Na era dos aplicativos e serviços padronizados, as oficinas não podem mais conviver com o mundo analógico. Alvarenga fez a comparação do sistema aftermarket com o sistema gravitacional, no qual os corpos celestes giram em torno do consumidor e são mantidos como uma unidade física que são concessionária, oficina, loja de peça, distribuidor e locadora do veículo. Com esse cenário que vivemos, com tanto desenvolvimento e tecnologias, os reparadores são os que mais precisam absorver, pois são os que têm o compromisso e a garantia de colocar o produto e o fazer circular, afirma o diretor do Sindirepa Nacional.  

No mercado atual, a logística de transporte representa um dos pilares para o sucesso das empresas, constituindo-se como um fator de extrema importância para a conquista de um lugar de destaque perante a concorrência, e pela primeira vez esse foi um dos temas discutidos no fórum. Sandra Klanfar, gerente de qualidade da Transzero Transportadora de Veículos, mostrou suas principais atitudes para driblar as dificuldades na área logística, são elas: gerenciamento de rotas (roteirização), programa de orientação aos motoristas e carreteiros, padronização dos processos, através das IDs (Sistema de Detecção de Intrusão (Intrusion Detection System - IDS),  um software que automatiza o processo de detecção de intrusão), parcerias com órgãos governamentais, rastreador, maior rastreabilidade com as anotações eletrônicas e leadtime menor para as ações corretivas. 

Marcio Santos, gerente de Qualidade e Confiabilidade do Produto da Mercedes-Benz, apontou que uma dificuldade por parte de fornecedores é o atendimento a normas internacionais de logística, que não se complementam e não são aderentes ao mercado brasileiro. 

Os Impactos das Novas Regulamentações no Futuro da Qualidade Automotiva também foi pauta do evento, Daniel Mariz Tavares, coordenador-geral de segurança viária no DENATRAN, trouxe estudo feito pela Secretaria Nacional de transporte terrestre, mostrando que no Brasil cerca de 40.000 pessoas morrem todos os anos em acidentes de trânsito e outras 200.000 ficam gravemente feridas, sendo que a maioria das causas dos acidentes (90%) é de fator humano. Para tentar diminuir esse número, medidas serão tomadas como: aprimorar a legislação, aumentar o nível de segurança dos veículos e melhorar o grau de conscientização da população. 

E no encerramento do fórum, o diretor de avaliação da conformidade do Inmetro, Gustavo José Kuster de Albuquerque, esteve presente falando sobre o novo modelo regulatório do instituto, tendo como objetivo elevar a performance regulatória, reduzir a carga administrativa, estimular a inovação e a competitividade do setor produtivo, bem como alinhar o país às melhores práticas internacionais na regulação de produto.  

Em geral, os conteúdos trazidos para este evento são os mais atualizados possíveis. Tanto a instituição organizadora quanto os palestrantes discutiram temas atuais, que instigam dúvidas entre profissionais da área automotiva. Boas discussões e diferentes pontos de vista são um dos picos mais altos, para ajudar na compreensão das transformações que a área vem vivenciando.  

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